fuzilado

Texto da Folha de São Paulo

Um padre revelou ao jornal “Folha de SP” as últimas palavras ditas por Rodrigo Gularte, de 42 anos, pouco antes de ser executado. Charlie Burrows, de 72 anos, esteve com o brasileiro e outros sete condenados à pena de morte por tráfico de drogas na clareira onde ocorreu o fuzilamento, na madrugada de quarta-feira (horário local). Segundo ele, quatro minutos antes de ser morto pelo pelotão, já amarrado a uma cruz de madeira, Gularte disse: “Eu cometi um erro, mas pagar com a vida é excessivo demais”.

Ainda de acordo com o relato do religioso – que estava no local porque a lei de pena de morte na Indonésia prevê que líderes espirituais podem dar conforto aos condenados -, Gularte foi o único que optou por não cantar – os demais entoaram o hino religioso “Amazing Grace”. O brasileiro preferiu fazer uma oração, em silêncio. O padre lembrou ainda que Gularte parecia calmo, sem medo, “aborrecido” com a pena mas consciente do que aconteceria. Em momento algum ele chorou.

Em seu relato, o religioso também contou que todos os condenados morreram imediatamente, não sendo necessária, assim, a aplicação do tiro de misericórdia – dado na cabeça caso o condenado sobreviva ao fuzilamento. O corpo de Gularte será levado para o Paraná, sua terra natal, nos próximos dias. Ele será enterrado em Curitiba. Nesta quarta, uma missa de corpo presente foi organizada pela prima dele, Angelita Muxfeldt, em Jacarta.

O padre Charlie Burrows é irlândês, mas vive na Indonésia há mais de 40 anos e está à frente de uma igreja em Java. Ele já acompanhou outra execuções e é contrário à pena de morte. “É tortura. Executar pessoas é tortura”, disse ele, em entrevista ao portal australiano “News.com.au” um dia antes de Gularte ser morto.

Rodrigo Gularte foi o segundo brasileiro executado neste ano na Indonésia. Em janeiro, Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi morto. Eles são os dois únicos cidadãos brasileiros punidos com a pena de morte no exterior.