A política é debate de ideias, ideais, sonhos e prática. É no exercício do contraditório que se exerce a democracia e isto, apesar de muitos torcerem o nariz, é coisa nobre, quando alguma nobreza tem a causa. Não vale, portanto, o sofisma, nem muito menos a inverdade, pois é aí que a política, “algo nobre”, se torna “pobre”.

Refiro-me a esse imbróglio em que está metido o nosso PSDB, hoje psdb. No seio do PSDB era consenso de que diante da evolução da política nacional com o deslocamento do governador Eduardo Campos para o campo da oposição, além do tucanato pernambucano não ter “buscado” construir uma alternativa local de poder, até por exclusão o caminho quase inevitável seria a composição com o PSB, como já ocorre em vários estados.

Acontece que as costuras finais para a parceria que se mostrava quase consensual acabou desagradando a muitos, e talvez por isso mesmo tenha sido celebrada sem a presença do principal líder nacional tucano, o senador mineiro e presidenciável Aécio Neves. Sua vinda produziria um evento de grande repercussão e sinalizaria para o Brasil a construção de um novo campo político, tendo como base estratégias e pontos programáticos comuns entre estes protagonistas da ação política nacional.

Isto faria toda a diferença e não diminuiria aqueles que protagonizaram esta aliança tão questionada.

Ou seja, a harmonia no ninho tucano estava a um passo. Em nome do projeto nacional e com base em alguns princípios e propostas programáticas, além de uma dose de pragmatismo, costurava-se um ambiente mínimo para que os opositores, o líder da oposição Daniel Coelho, a combativa deputada Terezinha Nunes e o até recente detentor do pomposo título de Secretário Geral do partido, Betinho Gomes (filho do prefeito de Jaboatão dos Guararapes, o também tucano Elias Gomes), que já declarara preferência a um dos nomes postos no xadrez palaciano, o do ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho, sem, à época, excluir outros.

É preciso reafirmarmos a verdade verdadeira: nenhum destes atores citados foi ouvido claramente acerca da “solução” (participação no governo) que se constituiu em um problema não só para o brilhante presidente Sergio Guerra, como para o governador Eduardo Campos, que está sendo questionado pelo método. Os condutores desse processo, tanto do lado de cá, como do lado de lá, precisam reconhecer que na ansiedade e pressa (que aniquila o verso) acabaram atropelando etapas do processo de consulta.

Mas, há tempo suficiente para se reavaliar estratégias e fazer os indispensáveis ajustes. Entretanto, para isso, é preciso humildade. Vamos todos refletir, trocar ideias, para que possamos tomar as decisões certas, na hora certa. Em não havendo sabedoria e disposição para tal, este fato poderá aumentar o fosso entre concepções e até levar cada qual para seus caminhos por questões de concepção e afirmação política dos protagonistas que têm abrigo no ninho tucano.

Elias Gomes é Prefeito de Jaboatão dos Guararapes