Passada a eleição e mais um mandato garantido pelos próximos quatro anos, o prefeito do Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes (PSDB), decidiu tomar medidas drásticas para desonerar os cofres municipais. O gestor sanciona hoje um decreto que suspende o pagamento de funções gratificadas e reduz em 10% os salários pagos a cargos comissionados CDA-1A a CDA-4, equivalentes às funções de prefeito e vice, secretários municipais e executivos, gerentes, assessores, coordenadores e chefes de núcleo. “Exonerar e cortar são coisas que fazemos como último recurso. Mas a questão é que não fabricamos dinheiro”, afirmou Gomes.

O tucano contou que “à medida que o Governo Federal não alcança as metas do crescimento econômico e ainda por cima faz cortesia com o chapéu alheio” para garantir empregos em outras regiões, desonerando alguns setores da indústria e serviços, as consequências afetam os municípios. “Reduz de forma muito célere e contundente as receitas municipais, e não nos resta outra alternativa senão reduzir os custos”, contou o prefeito.

O decreto prevê que “o montante decorrente do contingenciamento estabelecido será gradativamente devolvido aos respectivos destinatários da norma, na medida em que se observar o reequilíbrio das contas municipais”. “Em março, iniciamos os cortes quando vimos que este ano estava pouco promissor do ponto de vista econômico. Determinamos a redução de 25% dos custos de combustível, telefonia e outros que ainda não atingiam a área de pessoal”, contou o prefeito. “Esperamos até o trimestre seguinte, e quando chegamos a julho, a receita não estava reagindo, pelo contrário, estava caindo, sem a economia crescer”, completou.

A partir daí, uma série de outras medidas foi sendo tomada gradualmente. Medidas estas que incluíam revisão de contratos; maior percentual de cortes de combustíveis e outros gastos; cancelamento de aluguel de carros, exceto os que serviam a guarda municipal e o controle de uso do solo; e exoneração de 517 cargos comissionados.

Apesar disso, o tucano afirma que, com a queda na arrecadação de ICMS, a redução do repasse do FPM e a falta de reação da receita própria, foram necessárias atitudes mais drásticas. “Esperamos que haja uma reação da receita no mês de outubro para que possamos fazer uma nova projeção. Mas se essa reação não se confirmar, vamos aprofundar os cortes em todas as áreas, exceto na prestação de serviços essenciais como saúde e educação”, avisou.

Elias Gomes aproveitou para fazer críticas à Câmara Municipal. “Enquanto caminhamos nessa direção, o chefe do Legislativo (vereador Manoel Pereira Neco-PSC) não entende e segue aumentando os custos em um momento de crise. A presidência da Câmara está brigando com os fatos. E nós estamos dando o exemplo”, alfinetou, referindo-se ao projeto de aumento de salário dos vereadores jaboatanenses.

De: Folha de Pernambuco.